Entrevista com Raquel Zagui (Mãe Executiva)

desdobrando

Conheci a Raquel no colégio (não eramos tãooo amigas! Mas nos respeitávamos como qualquer adolescente…rsrs.. ) e naquela época não existia tecnologia que existe hoje. Nossa, lembrando agora não sei como as mamães lidavam com isso, sem ter notícias do seu filho a não ser pelo telefone fixo.

Bom, tecnologia entrou nas nossas vidas e estabelecemos a amizade novamente através do Facebook e depois pelo grupo criado por ela Candid Mommas (ainda não sei porque esse nome ou acho que esqueci o significado…rsrs).
raquel

Raquel é aquela mãe executiva tem um filho de 2 anos, o Gianluca. Formada em Engenharia de produção tem MBA Incompleto pela FIA (parou! mãe se desdobrando parte 1: porque engravidou e depois, desdobrando parte 2: iria mudar para Genebra e desdobrando parte 3: pelos acontecimentos da vida acabou se separando), mas em agosto fará seu curso em Harvard.

Ela é diretora Global de RH na área de Operações da Bacardi (imagina só o quanto que ela viaja! vou contar! melhor ela vai contar!). Foi casada durante 11 anos e segue a vida como tem que ser.

Mãe que viaja fora muitas vezes precisa de um apoio na criação e nos cuidados do filho. Confira como foi a entrevista.

Como você lida com a questão babá e filho? Digo, você estabeleceu uma amizade? Ou você lida como mais uma funcionária que trabalha na sua casa?  

R: Tenho uma senhora que me ajuda duas noites por semana desde quando o GL tinha 2 meses. Já ajudei a família e outras coisas, mas tento manter uma distância, porque se deixar ela fala demais (rs). Depois ela vai querer saber a minha vida inteira. Quando me separei ela ficou inconformada, porque ela via que eu e o Euler nos davamos muito bem. E quando ela soube pela primeira vez, ela disse que podíamos voltar e quem sabe…. e aí disse que não. Repetiu mais duas vezes. Tive que dar um limite nela.

Mas tenho uma relação bacana com ela e já a conheço há dois anos. O GL não fica com a babá o dia inteiro, ele vai para a escolinha desde quando voltei da licença maternidade e dá para contar nos dedos, acho que foram 2 ou 3 vezes que tive que deixar ele sozinho com a babá. Ela vai mais para me ajudar a noite para que eu possa dormir e me dá uma mão de manhã. Mas não deixo o meu filho com ela 100%, confio nela, mas ela já tem uma certa idade. Super querida, mas não consigo sair e ficar tranquila.

Quando você viaja geralmente você deixa os cuidados do seu filho com quem? 

R.: Ele fica na escolinha durante o dia todo (como de costume). Depois ele vai para a casa do pai. Quando coincide dos dois estarem viajando (o que evitamos ao máximo), ele fica com meus pais.

Você acha que a maternidade te amadureceu como profissional?

R.: As pessoas que trabalham comigo falam que eu amadureci quando tive o GL, meu ex-chefe é um exemplo. Ele ficou super feliz quando engravidei e sempre achou que a maternidade iria me fazer bem. O que eu acho é que eu coloca as minhas prioridades diferentes. Estou mais tranquila, não levo o trabalho tão a sério. Sou muito séria no trabalho, mas não é a coisa mais importante da minha vida agora.

Que meios de comunicação você utiliza quando está fora do país?  App, Skype, face….

R.:Quando estou viajando uso muito o Whataspp para perguntar o dia a dia do GL. E para vê-lo uso muito o Facetime. Tento ligar todos os dias, de manhã e a noite. Quando estou na Europa é um pouco mais complicado por conta do fuso horário e, acabo falando uma vez por dia ou as vezes nem dá. Mas tento vê-lo no mínimo uma vez por dia. E uso também Whataspp para mandar meus vídeos e fotos dos lugares onde estou viajando (do avião chegando) e gravo muito áudio. Aí ele mata a saudades.

Qual foi o maior desafio quando você virou mãe?

R.:O maior desafio acho que é manter as convicções que você tem como mãe, como você quer criar o seu filho, sem perder muita a direção com as opiniões dos outros. Eu lembro que eu queria muito amamentar o Gianluca somente no peito, os primeiros 6 meses foram assim. Mas era sempre tinha alguém falando algo do tipo: “ele mama muito”, “seu filho faz você de chupeta”. Ele mamava muito mesmo e tinha muita cólica. O pediatra falava que isso era normal e iria passar. Mas continuavam falando “dá fuchicória”, “dá isso e aquilo”. E eu não queria dar nada, mas uma parte de você fica pensando, “Putz, será que eu tenho que fazer alguma coisa diferente?”.

No fim acabo seguindo meu instinto, mas tem hora que é difícil. Como, “Você vai deixá-lo na escolinha, tadinho!” Eu acho a escola o melhor lugar para o meu filho, mas o primeiro dia que a criança chora você fala “meu Deus”, mas será que isso é a coisa certa?

O jeito é acreditar no seu instinto materno sem perder a segurança e não dar muita bola para o que as pessoas falam, e acho que esse é o maior desafio. Mas tem dias que é fogo! Será que o outro esta certo e eu estou errada? Na maioria das vezes acho que o coração de mãe sabe, mas fica mais complicado quando estamos no meio de um problema, a mãe fica confusa e o pessoal não ajuda.

Me conte um dia que você teve que se desdobrar em 20 mil pessoas para resolver um problema ou situação que envolvia seu filho. Aquele dia que você não quer nunca mais ter. 

R.:Vou contar uma bem recente. Há duas semanas atrás quando estava me preparando para sair para ficar duas semanas fora, eu ia viajar na terça-feira no vôo das 11hs da noite. O pai também estava viajando, então o Gianluca iria ficar terça, quarta e quinta na casa dos meus pais e quando o pai voltasse na sexta iria pega-lo.

Fui para a empresa de manhã, porque tinha um monte de coisas para resolver, depois iria terminar de arrumar a mala no final da tarde e pegar o meu filho na escolinha. Já estava tudo programado. 10h30, eu estava em uma reunião em São Bernardo do Campo, me ligam da escolinha falando que o GL estava com diarreia.

Bom, toca eu cancelar tudo para sair correndo e pegar ele, marcar pediatra, ligar para os meus pais, reorganizar o motorista para me pegar no pediatra, depois que acabasse a consulta antes de eu ir para o aeroporto.

Eu tive que cancelar um monte de coisas, tive que fazer tudo de qualquer jeito, mas no final viajei tranquila sabendo que ele estava bem. Confesso que no começo fiquei desesperada, porque o pai dele estava fora e eu iria viajar e ele com diarréia, maior peso na consciência mesmo sabendo que ele estaria bem cuidado com meus pais… Mas no final ele ficou bem antes de eu sair e deu certo como sempre!