Entrevista com Andrea Werner – Mãe mais do que especial

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Ah!!!! Que alegria!!! Não tenho palavras para dizer o quanto estou feliz de ter essa linda entrevista com a Andrea Werner. O filho vocês já conhecem ou podem conhecer através do blog  http://lagartavirapupa.com.br/.

Aqui vamos saber um pouca da vida da mãe que aprendi a conhecer virtualmente através do grupo que temos em comum. Mas em julho vamos nos encontrar sim! Quero muito conhecê-la pessoalmente! Ela virá para o Brasil, gente!!! Para o lançamento do seu livro Lagarta Vira Pupa – A Vida e os aprendizados ao lado de um lindo garotinho autista

Belo Horizonte: 14 de julho – Livraria Leitura, Shopping Pátio Savassi, Avenida do Contorno, 6.061 Lj 235-236 Horário: 19h

São Paulo: 16 de julho – Livraria da Vila, Alameda Lorena 01424 Horário: 15h

Rio de Janeiro: 17 de julho – Livraria Argumento, Rua Dias Ferreira, 417 Leblon Horário: 17h

Preço do livro: R$ 59,90 páginas: 192

Confira essa entrevista que esta muito gostosa de se ler!

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1) Como era sua vida antes do Théo? Como você idealizava a maternidade antes dele?

R: O grande sonho da minha vida era ser mãe. Sempre foi. Eu lembro, quando eu era criança eu já queria segurar um bebê, eu tinha uns 6 ou 7 anos de idade e eu era encantada por eles, falava que iria ter uns 4 filhos igual a minha mãe. Meus sonhos eram meios fora da realidade. Quando eu fui virando adulta, imaginei que dois filhos já seria bom. Cai nessa vida de executiva de paraquedas, porque me formei em jornalismo, uma área que não tem nada haver com negócios, mas na época da formatura eu estava meia perdida, sem saber o que fazer.  E eu resolvi me inscrever para uma vaga de trainee, mas nunca imaginei que fosse passar e eu passei. Passei na Unilever na área de pesquisa de mercado, que é uma área que fica dentro do marketing, conhecimento do consumidor, essas coisas…

Fui me desenvolvendo nessa área, depois fui para outras multinacionais, onde conheci a Raquel na Whirpool (mãe executiva, que foi a nossa primeira entrevista, clique aqui para saber mais). Comecei a gostar dessa área e me identifiquei nessa vida de executiva, foi nesse ponto que eu tive o Theo. Sai da Whirpool, fui para a LG quando ele tinha um ano de idade, e essa era a minha vida, trabalhar o dia inteiro, eram reuniões, roupas sociais, maquiagem e salto alto. Era esse o meu dia a dia, antes do Theo nascer e antes de ser diagnosticado com autismo.

2) Descobriu que seu filho tinha autismo com 2 anos de idade e resolveu largar o trabalho para cuidá-lo. Quem te ajudou ou orientou nesse processo?

R: Juntou muita fome com a vontade de comer. Ninguém. Na verdade quando eu estava na LG (o Theo com 2 anos foi diagnosticado com autismo), teve uma reestruturação e eu fui desligada da empresa, e nisso parei para pensar. Eu até fiquei um tempo com horários flexíveis em outra empresa para ter um tempo a mais com o Theo, mas não estava rolando. Eu não conseguia acompanhar as terapias, não sabia quem estava fazendo o que com ele, se estava sendo efetivo ou não, e foi uma decisão muito difícil, foi uma decisão de casal. Lá em casa a renda do meu marido era 60% e a minha era 40%, então a minha renda tinha um peso grande na estrutura familiar e ficar sem, iria fazer muita diferença no orçamento.

Então foi uma decisão muito difícil e tomada em casal, meu marido ficou muito com o pé atrás no início. Mas as coisas vão se ajeitando, você se adapta ao novo estilo de vida com aquela nova renda. No início foi difícil, ficamos no vermelho e tudo, mas principalmente quando mudamos para o exterior, e você se livra de babá, motorista, empregada, manicure e tudo, as finanças acabam entrando nos eixos.

3) Que diferença você vê no método de ensino do Brasil com o da Suécia? 

R: A diferença que eu vejo aqui (Estocolmo) e na Inglaterra onde eu morei algum tempo, é que há escolas preparadas e que sabem ensinar crianças que têm dificuldade no aprendizado, elas entendem de autismo e de outros transtornos de desenvolvimento. No Brasil, as escolas não querem receber quem tem deficiência, e as que recebem acabam deixando as crianças encostadas porque não sabem como ensinar. E não adianta, a gente querer tampar o sol com a peneira “a gente tem que tratar criança igual e tal”. Sim, todas tem os mesmos direitos que uma criança típica, mas ela não aprende da mesma forma, em geral crianças autistas são mais visuais e existem metodologias para ensiná-las a ler que são mais efetivas do que um método de ensino normal para uma criança típica.

Tem algumas estratégias que você tem que usar para driblar a atenção curta que eles tem, assim como os problemas sensoriais. Então não é aquela coisa, “há agora a minha escola vai receber uma criança autista”, tem que capacitar, tem que procurar um curso, tem que se formar, tem que se atualizar, porque não vai adiantar ter uma criança autista e querer usar as mesmas metodologias. A não ser que a criança tenha um autismo muito muito leve. Aqui fora tem isso, o Estado dá treinamento, capacitação, um monte de coisas que não vejo no Brasil ainda.

4) Como foi a mudança e adaptação na nova cidade (Estocolmo). Idioma, costumes, alimentação e etc?

R: Foi um baque, porque eu amava muito Londres e quando estávamos uns 3 ou 4 meses ficamos sabendo que teríamos que mudar para a Suécia. Ficamos 11 meses em Londres, não ficamos nem um ano. Fiquei super deprimida, ainda sou apaixonada por Londres, e pensar que este lugar ficaria ainda mais longe, foi difícil, o idioma é muito esquisito. Morando em Londres nunca tive problema com isso, porque sempre falei inglês. Os suecos são muito diferentes dos ingleses. Os ingleses são mais abertos, mais simpáticos, principalmente com estranhos e desconhecidos. Os suecos são extremamente fechados, então isso foi um baque bem grande.

O que me ajudou muito a me acostumar foi entrar num curso de sueco assim que cheguei, fiz um ano para ter uma noção básica, conheci outras pessoas, fui conhecer muito da cultura sueca através da professora e uma grande amiga brasileira que virou da família. A gente viaja e a Lola fica com ela, ela é bem da família, isso faz a grande diferença quando se está longe dos amigos e da própria família.

5) A pergunta base. Conte-nos qual foi o dia que você teve que se desdobrar em 20 pessoas para cuidar do seu filho?

R: Nossa, são tantos. Não dá para escolher um porque o Leandro viaja muito. No último mês, só esta semana que nós estamos é que o Leandro não viajou. E como não tenho ninguém aqui….eu brinco que eu não posso ficar doente, porque como que faz? Quem vai cuidar de mim? Quem vai cuidar do Theo?

Então não existe essa possibilidade, ainda mais do pai viajando tanto. O que é bem difícil aqui é que eu não tenho empregada, não tenho babá e não tenho família. Então eu tenho que fazer o jantar de olho no Theo, quando eu vou no banheiro, tenho que ficar conversando com ele para ter certeza que ele não está fazendo nada de errado. O Theo é hiperativo, nos picos de hiperatividade ele procura o que fazer de errado, então se você senta para fazer xixi às vezes ele já corre para o andar de cima e começa a jogar o shampoo e condicionador dentro da banheira ou vai na cozinha e começa a jogar todos os temperos dentro da pia, então eu sempre tenho que me desdobrar em 20 quando estou com ele.

Tem alguns momentos que ele fica calmo, senta no sofá, fica mexendo no iPad, mas quando resolve causar e você tem que cozinhar ou alguma coisa assim, você às vezes tem que largar a panela no fogo não tem jeito.

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6) Como você consegue ter momentos a sós com o seu marido? Demorou muito tempo?

R: Uma coisa que a gente sempre faz desde que o Theo era bebê é manter a rotina do sono. Ele sempre foi acostumado a dormir cedo. Quando chega perto das 20hs, o Theo já está caindo de sono. Isso é uma coisa super importante, porque é um tempo que nós temos para ficar a sós, aproveitamos pra namorar, ver um filme e fazer coisas que os casais fazem. Então acostumar o filho a dormir cedo é muito importante. Outra coisa é viajar sozinhos.

A primeira vez que nós viajamos, deixamos o Theo (de 7 a 8 meses) com a minha sogra, fomos para Buenos Aires ficamos 5 dias e a partir daí começamos a fazer isso todo ano. Teve uma vez antes do diagnóstico, o Theo iria fazer dois anos, viajamos e ficamos 19 dias fora, foi meia que uma segunda lua de mel.

Tiramos uma semana no primeiro semestre e depois uma outra no segundo semestre com ajuda das vovós para ficar com o Theo. Depois que passamos a morar no exterior, isso ficou mais difícil, mas damos um jeito. Quando fomos para o Brasil logo após o Natal, o Theo ficou com a minha sogra e fomos para Punta Cana, ficamos uma semana, e agora que vamos para o Brasil em julho na última semana de São Paulo vamos fazer um cruzeiro e o Theo vai ficar com a minha sogra. Não tem jeito, quando vamos para o Brasil aproveitamos para deixar com as vovós, mas achamos que vale o sacrifício para sair um pouco da rotina, do dia a dia, um momento a sós como casal e lembrar que além de mãe, você também é mulher.

7) Como foi fazer o livro “Lagarta Vira Pupa” que será lançado no mês que vem. Como foi possível realizar esse sonho?

R. Não era muito bem um sono, na realidade fui escrevendo, escrevendo para o blog e as pessoas começaram a cobrar “porque você não escreve um livro, escreve um livro…”, e isso nunca tinha passado pela minha cabeça porque não me acho uma boa escritora assim, eu acho que tenho talvez um dom de escrever sentimentos de uma forma que as pessoas não saibam fazer, mas nunca me achei uma pessoa digna de escrever um livro.

Mas chegou um ponto que me pediram tanto que pensei “ok, vamos lá” e decide pegar os textos mais lidos do blog, escrever mais alguns inéditos e colocar em ordem cronológica, dar uma linearidade, porque o blog não é linear, eu posso ir e voltar quantas vezes eu quiser.

Depois fui procurar uma ilustradora boa e ir atrás de editora. Mas como não teve sucesso, fizemos independente mesmo. Fiz a primeira oferta do livro no Kickante para levantar fundos para a impressão da primeira edição do livro, só nessa pré venda foram mais de 600 livros vendidos de 2000. Então acho que subestimei a questão do interesse das pessoas nesse livro e já estou pensando em uma segunda edição, com ou sem editora para mandar imprimir.

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8) Que dicas você dá de passeios pela Suécia?

R. Primeiro não venham no inverno, não pela questão do frio, porque com roupas adequadas a pessoa se vira, mas pela questão de que muitas coisas fecham durante o inverno, como por exemplo um lugar que eu acho bacana para visitar o Skansen, um museu a céu aberto, onde eles pegaram casas e prédios de diversos lugares da Escandinávia de todas as épocas que você pode imaginar (todos os séculos, 12, 13, 14….) e eles remontaram nesse terreno. A pessoa fica vestida como se ela morasse lá, é surreal. Quem gosta de coisas históricas é muito legal para se ir.

Tem o museu do Vasa, que é um navio de guerra muito bonito, foi construído em 1628 mas foi mal construído e então ele afundou na primeira viagem a 1 km e meio da costa. Em 1950 e alguma coisa, o governo sueco achou perto de Estocolmo afundado, fizeram uma operação de resgate e colocaram nesse museu, então quando você entrada a primeira impressão que você tem é de estar no filme Piratas do Caribe é muito legal.

Tem também um parque de diversão que abre na época do verão que é o Gröna Lund, o museu do ABBA e a cidade que em si é muito bonita. A arquitetura escandinava é muito diferente da Europa Continental (França, Inglaterra….) talvez um pouco parecido com o norte da Alemanha, mas Estocolmo é uma cidade com muita água.

Ela é formada por várias ilhas dentro de um lago gigantesco que é o lago glacial chamado Mälaren, inclusive ela não é a única cidade dentro desse lago, existem outras. Quando congela fica um local muito bonito de se ver além das pessoas que são muito bonitas.